INDICADORES de Preço das ações

Investir em ações pode parecer algo complicado no início, mas a verdade é que existem ferramentas que facilitam muito esse processo. Os indicadores financeiros são essenciais para avaliar se uma empresa é boa, se está cara ou barata e se vale a pena investir no longo prazo.

Neste guia, você vai aprender quais indicadores usar para analisar o preço de uma ação, como interpretá-los e como utilizá-los para tomar decisões mais inteligentes no mercado financeiro.

P/L (Preço sobre Lucro)

O P/L é um dos indicadores mais conhecidos do mercado financeiro. Ele mostra em quantos anos o investidor recuperaria o valor investido, considerando os lucros atuais da empresa.

Fórmula:

P/L = Preço da ação ÷ Lucro por Ação (LPA)

O Lucro por Ação (LPA) é calculado dividindo o lucro líquido pelo número de ações da empresa.

Exemplo:

Se uma ação custa R$ 69,00 e o LPA é de R$ 4,93:

P/L = 69 ÷ 4,93 ≈ 14 anos

Como interpretar o P/L?

  • 0 a 10 → Ação barata

  • 10 a 20 → Preço justo

  • Acima de 20 → Ação cara

O P/L é uma métrica muito útil para precificar empresas com base no seu desempenho passado. No entanto, quando o objetivo é encontrar empresas que possam crescer, é necessário olhar para o futuro. Nesse contexto, não devemos nos basear apenas no P/L, mas também utilizar o PEG Ratio. Ainda assim, é importante incluir o P/L nas análises, pois ele permite avaliar como a empresa se comportou nos anos anteriores.

Após realizarmos uma análise completa da empresa, pode ocorrer o início do período de Break Even, que é o ponto em que há equilíbrio financeiro: as receitas totais se igualam aos custos totais (fixos e variáveis), resultando em lucro zero. A partir desse momento, qualquer venda adicional passa a gerar lucro, enquanto vendas abaixo desse nível resultam em prejuízo.

Exemplo de Break Even:

Se as ações de uma empresa estiverem sendo negociadas na B3 por R$ 80,00 e o lucro por ação for de R$ 2,00, o P/L será de 40 anos. No entanto, após o break even, o lucro por ação dos últimos 12 meses passou de R$ 2,00 para R$ 8,00, reduzindo o P/L para 10 anos.

Isso é positivo, pois indica que a empresa está aumentando os dividendos pagos aos acionistas. Nesse cenário, se considerássemos apenas o P/L inicial, poderíamos deixar de investir na empresa. Porém, como o foco é identificar companhias com potencial de crescimento, o uso do PEG Ratio se torna mais adequado.

Importante:

Um P/L alto não significa necessariamente que a ação está cara. Empresas que crescem rapidamente costumam ter P/L elevado, pois o mercado já antecipa lucros futuros.

PEG Ratio ([Price/Sales] / Groth)

O PEG Ratio é uma evolução do P/L, pois leva em consideração o crescimento da empresa, em outras palavras, é o P/L dividido pela taxa de crescimento esperado do lucro da empresa.

Fórmula:

PEG = (P/L) ÷ Crescimento esperado do lucro

Uma forma comum de estimar o crescimento é:

Crescimento = (1 − payout) × ROE

Se você quiser saber mais a respeito do ROE, veja o artigo sobre Indicadores de Rentabilidade.

Interpretação do PEG Ratio:

  • Menor que 1 → Barato

  • Entre 1 e 2 → Justo

  • Acima de 2 → Caro

Em empresas de crescimento, geralmente o P/L é elevado, enquanto o PEG Ratio tende a ser mais baixo. No entanto, não podemos nos basear apenas em um PEG Ratio reduzido (abaixo de 1), pois, em muitos casos, isso ocorre não necessariamente porque a empresa apresenta um crescimento expressivo de lucros, mas sim porque o P/L também está baixo.

Esse P/L reduzido pode não refletir eficiência operacional, e sim um Valor Patrimonial por Ação (VPA) muito descontado, o que frequentemente está associado a empresas de baixa qualidade.

Para calcular o PEG Ratio, dividimos o P/L pelo crescimento esperado do lucro da empresa. Porém, surge uma questão importante: qual indicador devemos utilizar quando a empresa não apresenta lucro?

Muitas empresas em estágio inicial, apesar de promissoras, operam no prejuízo por diversos fatores. Um exemplo comum é o alto Custo de Aquisição de Clientes (CAC), que representa o valor médio investido para conquistar um novo cliente, incluindo gastos com marketing, equipes de vendas e divulgação. Quando esse custo é elevado, pode comprometer a lucratividade no curto prazo.

Nesses casos, utilizamos o Price/Sales Ratio (PSR), ou Preço/Receita Líquida, que relaciona o valor de mercado da empresa com sua receita operacional.

PSR (Price/Sales Ratio)

O PSR é utilizado principalmente para empresas que ainda não dão lucro.

Fórmula:

PSR = Valor de mercado ÷ Receita líquida

Segundo o investidor Kenneth Fisher:

  • PSR menor que 1 → Empresa interessante

  • PSR maior que 1 → Requer cautela

Portanto, ao analisar uma empresa sem lucro, não devemos utilizar o P/L ou o PEG Ratio, mas sim o PSR. Contudo, se esse indicador estiver acima de 1, não compensa prosseguir com uma análise mais aprofundada da empresa, pois, provavelmente, ela não será capaz de gerar lucros suficientes no futuro para justificar um P/L ou PEG Ratio elevados.

P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial)

É um indicador financeiro que compara o preço de mercado de uma ação (no caso de uma empresa) ou de uma cota (no caso de um fundo imobiliário) com o seu Valor Patrimonial por Ação (VPA).

O valor patrimonial representa a riqueza líquida da companhia em um determinado momento, sendo calculado pela diferença entre os ativos (bens e direitos) e os passivos (dívidas e obrigações).

Já o VPA é utilizado no cálculo do P/VP é obtido dividindo o patrimônio líquido total da empresa ou fundo pelo número de ações ou cotas em circulação.

Esse indicador nos mostra se um investimento está caro ou barato, permitindo entender quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada unidade do patrimônio líquido de uma empresa ou fundo.

Fórmula:

P/VP = Preço ÷ Valor Patrimonial por Ação

Exemplo: É um exemplo fictício, o nome da empresa será “Tech 1”.

  • Preço ou valor de mercado da empresa = R$ 100 bilhões

  • Valor Patrimonial da empresa = R$ 50 bilhões

P/VP = 100 bilhões ÷ 50 bilhões

P/VP = 2

Interpretação:

  • Menor que 1 → Barato

  • Igual a 1 → Justo

  • Maior que 1 → Caro

DY (Dividend Yield)

Consiste nos dividendos pagos por uma empresa, divididos pelo preço atual da ação. Ele é medido em 12 vezes para não ter discrepâncias muito grandes, pois tem meses que tanto os FIIs quanto as empresas pagam mais dividendos em relação aos demais.

Fórmula:

DY = (Dividendos ÷ Preço da ação) × 100

Exemplo:

Se uma ação paga R$ 1,94 em dividendos no período de um ano e custa R$ 31,92:

DY ≈ 6,07% ao ano

YOC (Yield on Cost)

É um indicador financeiro que mede o rendimento dos dividendos de um ativo com base no custo original de compra, não no preço atual de mercado de uma ação ou cota.

Para calcular o Yield On Cost, se divide o Dividendo Yield anual do ativo em sua carteira pelo preço que você pagou por ele e multiplica-se por 100 para obter o resultado em porcentagem.

Fórmula:

YOC = (Dividendos ÷ Preço de compra) × 100

Exemplo:

Se você comprou uma ação por R$ 20,00 e recebe R$ 1,50 por ano:

YOC = 7,5%

Diferença entre DY e YOC:

  • DY considera o preço atual da ação

  • YOC considera o preço que você pagou

Isso mostra como o seu investimento evoluiu ao longo do tempo.

Conclusão: Como analisar uma ação de forma completa?

Analisar uma ação exige olhar para diversos indicadores ao mesmo tempo.

  • P/L mostra o preço em relação ao lucro

  • PEG Ratio serve para analisar empresas que estão crescendo

  • P/VP avalia se a ação está cara ou barata 

  • DY mostra a geração de renda passiva que o ativo gerou no período de um ano

  • PSR ajuda analisar empresas que ainda não dão lucro

O segredo não está em um único indicador, mas na combinação deles. Quanto mais completa for a sua análise, maiores serão suas chances de tomar boas decisões no mercado.

FAQ (Perguntas Frequentes):

Se ainda restaram dúvidas, agora serão respondidas através do faq. completo abaixo.

Qual o melhor indicador para analisar uma ação?

  • Não existe um único indicador ideal. O melhor é combinar vários, como P/L, PEG Ratio, e Dividend Yield, etc.

P/L baixo significa que a ação está barata?

  • Nem sempre. Um P/L baixo pode indicar uma oportunidade, mas se estiver muito baixo, também pode significar que a empresa está com problemas.

O que é um bom Dividend Yield?

  • Depende do setor, mas geralmente um DY acima de 6% é considerado interessante.

Posso analisar uma ação apenas pelo PEG Ratio?

  • Não é recomendado. O PEG deve ser usado junto com outros indicadores para evitar conclusões erradas.

Quando usar o PSR?

  • O PSR é ideal para empresas que ainda não têm lucro, como startups e empresas de crescimento.